Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia indica gengibre e
vitamina B6
Casos de náuseas e vômitos na gestação representam
aumento nos custos na saúde pública, prejuízos no mercado de trabalho, mas
principalmente problemas psicológicos e sociais na gestante.
A partir de hoje, todos os ginecologistas e
obstetras do país receberão recomendações atualizadas sobre como tratar as
náuseas e vômitos de mulheres grávidas. Segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE, anualmente, cerca de 3 milhões de brasileiras
sofrem com enjoos durante a gestação. A orientação será divulgada pela
Febrasgo, por meio de uma normativa baseada em extensa revisão de pesquisas
publicadas na literatura médica e opiniões de especialistas que foram resumidas
em um algoritmo de ação racional, fundamentado em ações com evidências
científicas.
— A grande novidade é que passa a ser possível tratar das náuseas e
vômitos aqui no país com um produto que não apresenta efeitos colaterais para a
mãe ou para o bebê, o que preocupa principalmente nos três primeiros meses da
gestação — destaca o ginecologista Dr. Corintio Mariani Neto, o
autor da normativa, doutor em Tocoginecologia pela Unicamp, diretor técnico do
Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros e professor da Faculdade de
Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID).
A normativa para Tratamento de Náuseas e Vômitos na Gestação (NVG) está sendo
oficializada em Brasília pelas Comissões Nacionais de Pré-Natal e de
Perinatologia da Febrasgo, durante o 46º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia
do Distrito Federal.
Em linhas gerais, após descartadas as causas diversas que não estejam
relacionadas à gestação, como distúrbios gastrointestinais, origem visceral,
estímulos químicos, entre outros, a recomendação oficial inicial prevê a adoção
de orientação dietética com a prescrição de piridoxina (vitamina B6) mais
extrato de gengibre, única combinação disponível no Brasil considerada classe A
pelo FDA (Food and Drugs Administration, órgão regulador nos Estados Unidos),
ou seja, que não apresenta risco algum para a gestante nem para a criança que
se desenvolve.
— Estudos demonstram que o gengibre é tão eficaz quanto a piridoxina no combate
às NVG. Doses de até 1g diários de gengibre, sem quaisquer resultados
negativos para a gravidez, podem ser usadas sem preocupação — afirma
o especialista.
O gengibre (por seu componente ativo gingerol) age no sistema nervoso central
inibindo os receptores da serotonina, exercendo, ainda, efeitos antieméticos no
sistema gastrintestinal. Por sua vez, o fosfato de piridoxal (forma ativa da
vitamina B6), além da serotonina, modula a formação e degradação de outros
neurotransmissores envolvidos com as NVG, tais como dopamina e noradrenalina.
De acordo com estudos internacionais, casos de náuseas e vômitos na
gestação representam, além de um aumento nos custos na saúde pública,
prejuízos no mercado de trabalho, mas principalmente problemas psicológicos e
sociais na gestante, além de uma diminuição da qualidade de vida e em casos
extremos prejuízos para a gestante e seu bebê.
— Um estudo americano mostra que 55% das mulheres grávidas se sentem deprimidas
e têm documentado que a sua vida social e familiar é afetada negativamente
— comenta Mariani Neto.
Confira recomendações alimentares para os casos de enjoo na gravidez:
• Beber pequenas quantidades de líquidos, várias vezes ao dia,
principalmente água e sucos de frutas.
• Dieta fracionada: ingerir pequenas quantidades de alimentos com
mais frequência (a cada 2 ou 3 horas), em vez de grandes refeições.
• Evitar ficar com o estômago vazio, fazendo lanches ligeiros entre
as refeições.
• Ao acordar, comer um biscoito seco do tipo água e sal, antes de
sair da cama.
• Evitar alimentos gordurosos, condimentados ou picantes.
• Evitar alimentos cujo odor incomode a grávida.
• Aproveitar ao máximo o melhor tempo do dia, ou seja, comer quando
se sentir melhor ou sempre que sentir fome. Deitar-se quando estiver enjoada.
Fonte: diario.com